terça-feira, 15 de abril de 2014

A patricinha e a hippie universitária

Qual a diferença entre uma "patricinha" e uma hippie universitária* “revolucionária”( bicho grilo)? - A patricinha vive focada na vaidade estética, enquanto a hippie vive focada na vaidade intelectual.

Qual eu gosto mais? Bom, não me incomoda uma moça ficar preocupada em exibir o tamanho da bunda ou ostentar seu vestuário, sou indiferente, mas, incluindo o padrão de comportamento do segundo perfil citado,  me incomoda pessoas que estão preocupadas em se afirmar o quanto são elevadas moral e intelectualmente baseadas naquilo que são, no que pensam e no que defendem. Uma pessoa a quem se pode atribuir elevada moral e intelecto não se deve ao fato de haver uma aceitação popular daquilo que ela é, mas na sua humildade e flexibilidade de pensamento essenciais para que se possa moldar a mente e o emocional conforme as mudanças que se procedem pela experiência interativa e consolidam um ser digno de admiração, por aquilo que ela faz e, assim, abrir a possibilidade observar a causa e efeito de suas ações.

A novas gerações de universitários que sempre repetem os mesmos caminhos de seus antepassados ao “saírem da saia de suas mães”, tem de se apegar a algo que lhes parece grandioso e que esteja intimamente ligado a eles, de modo a estar a fácil alcance e fácil de se exibir para a tribo a se entrosar. A armadilha está na seguinte questão: Um universitário não tem nada - não é produtivo, geralmente não trabalha,  não é inteligente, não está com sua moral consolidada, não possui habilidades que qualquer outro em sua situação não possa desenvolver e,  agora,  geralmente, se encontra mais afastado de sua família e amigos de infância. O que ele terá a oferecer para o meio que acaba de chegar? Infelizmente, muitos oferecem aquilo que não tem, simulando ser aquilo que não são, forçando uma exibição moral popular. O ponto crítico é que uma moral que não foi desenvolvida, mas apropriada, se caracteriza como uma moral invertida.
O altruísmo é o que não pode faltar nessa moral invertida, pela sua popularidade. Antigamente o altruísmo sempre esteve num altar ao alcance somente de santos, monges e avatares, pela grande disciplina necessária para a conquista do desapego material e do genuíno Amor universal. Hoje, qualquer universitário “revolucionário” se declara como detentor desta virtude. Aí, para consolidar este altruísmo, o sujeito incrementa o socialismo filosófico, o marxismo cultural, os discursos populistas e, logo, a violenta repressão da individualidade alheia, isto é, tudo o que o indivíduo faz por ele mesmo é taxado de egoísmo. Os universitários, se sustentando nisso, se colocam em um posto de santidade, que humildemente se denominam humanitários. O que é preciso fazer para isso? Nada, apenas defenderem aquilo que pensam (apropriaram de outras mentes), afirmarem aquilo que são e, claro, reprimir a liberdade de expressão de seus dissidentes, para que não haja diferença social e para evitar o fascismo no sec. XXI! (- Ou será pra evitar que todo este esforço pela vaidade seja em vão, colocado em “xeque” por um debate?)
Quem são estes universitários? Eles são como eu - Somos universitários - Enfim, ainda não somos nada e não temos nada, além de esperança, por parte daqueles que optam pela consciente solidão moral até que esta um dia se mature, e vaidade, por parte daqueles que amam se vangloriar em sua autoafirmação moral.
O remédio mais barato para a carência é a mentira de um falso amor, mas o mais eficiente é a esperança de um verdadeiro. A vaidade é um veneno. Aqueles que optam pelas glórias da popularidade, da aceitação na juventude, das bandeiras que levantam e do coletivismo como um todo, um dia poderão sentir o quão sozinhos sempre estiveram na sua verdadeira essência(personalidade) que nunca se desenvolveu. Um parasita não se desenvolve sem um hospedeiro. Um homem na situação de parasita financeiro, moral e, principalmente, emocional, só sentirá a dor de sua independência quando perder aquilo em que se apoiava para ser feliz. A nossa biologia não nos confere parasitismo. Somos inteiros separados. Nossa evolução se dá por interação, mas não por conjunto.
Outros pontos fundamentais para encerrarmos nossa comparação entre as duas figuras que me inspiraram essa reflexão é que a "patricinha" geralmente toma banho com mais frequência e tem o hábito de se depilar, não se importando com a opressão patriarcal sobre os pelos femininos.

*Nota: Faço questão de diferenciar hippies universitários de hippies verdadeiros.  Hippies verdadeiros (não são aqueles que vendem bijuterias e estão inseridos no mercado) são aqueles que abdicaram da propriedade privada e da participação no mercado, para viver em propriedades coletivas autárquicas em fraternidade com outros hippies - Isso se trata de uma escolha destes indivíduos e suas escolhas devem ser respeitadas. Já os hippies universitários são aqueles que gozam de serem similares aos verdadeiros, por compartilharem da ideologia e do vestuário, mas que não vivem e provavelmente nunca estarão dispostos a viver da forma que os hippies vivem. Resumindo: Modinha universitária.

Adriano Olimpio

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Corrupção Latente: Acuse os políticos de fazer o que você faz!


Venho hoje falar aqui da cultura de corrupção que está impregnada em nós brasileiros. Sim, venho falar da origem da grande corrupção política que faz nossa sociedade passar por tantos problemas sociais: o caráter. Cada ser humano possui um caráter peculiar de sua educação familiar, mas nós brasileiros temos algo em comum por cultura: somos corruptíveis e muito. E, o pior: não sabemos disso já que, enquanto nossa corrupção ainda é discreta, chamamos a corrupção de malandragem. E, malandro, entre nós brasileiros, não é sinônimo de corrupto, mas de esperto.
Não nego, mas afirmo o fato de que temos instintos naturais de nos preocuparmos primeiro com nós mesmos, com nossa felicidade, com nosso abastecimento de recursos materiais, com nosso sucesso e nossas conquistas... para depois nos preocuparmos com os problemas dos outros, mesmo que estes problemas sejam muito mais severos do que os nossos. Não nego nada disso. Isso é natural. São instintos de sobrevivência arraigados em nós e na maioria dos seres vivos. Todos competimos por recursos, mas nós, humanos racionais e civilizados, damas e cavalheiros dignos de respeito, independente da classe social em que nos encontramos no momento, devemos ter o mínimo de decência, um código de ética básico, para ir em busca dos nossos próprios interesses sem sermos medíocres e usar da coerção aos nossos semelhantes para obter nossas conquistas.
Sempre quis identificar o fenômeno que fosse a raiz de toda a mediocridade do indivíduo que se encontra menos empenhado nos caminhos naturais para suas conquistas, mas empenhado na busca de algo ou alguém que dê a ele, “de bandeja”, os recursos que deseja.

O Caminho Natural e o Saque:

O caminho natural é que a conquista sempre vem com merecimento e merecimento vem com trabalho.  Mas existe outro caminho para a conquista: o roubo, que vem com a coerção, consistindo em tomar a posse de bens conquistados por outros indivíduos que usaram, a princípio, o caminho natural.
Pode-se dizer que toda propriedade ou bem de consumo é criada pela agregação de valor que o homem sempre deu e continua dando a matéria e a produção de bens e serviços através dela, ou seja, pela capacidade de um homem de produzir e servir, para outro homem, aquilo que este segundo deseja, para então ter capital ou crédito para trocar seu trabalho por recursos específicos que compõem seus desejos particulares. Pode-se dizer também que toda a riqueza e todo o valor já agregado foram gerados por indivíduos  que trilharam o caminho natural.
O roubo não pode criar, o roubo pode apenas distribuir ou transferir a riqueza daqueles que a produzem ou de onde a alocaram, no curso da história.
Houve uma “luz” que me ajudou a identificar este fenômeno, a raiz de toda a mediocridade daqueles que se negam a produzir, pela preferência de saquear através de um poder maior. Estava escutando uma música, o título da música entrou em sintonia com a seguinte reflexão: Qual poder pode sobrepor a produtividade humana? - Qual poder pode controlar a produtividade humana? O governo.

O titulo da música é “Everybody Wants To Rule The World” do Tears For Fears, traduzindo: Todos querem governar o mundo. O título dessa música clareou tudo em minha mente. O fenômeno se tornou facilmente observável por repetidas vezes: Todos querem governar o mundo segundo seus interesses particulares. Ao invés de produzir, querem governar a produção alheia. Querem criar leis, cada um com seu modelo de mundo ideal que lhe convém. Querem aquilo que só o roubo é capaz - A distribuição de recursos pela expropriação de quem os produziu. Querem, além da expropriação de bens, a expropriação de liberdade alheia, para poderem vislumbrar um mundo onde tudo e todos estarão aonde e como seus desejos pessoais os alocarem. Em sua defesa, legitimam o roubo com premissas éticas e necessárias para o “bem-estar social”, mascarando o modelo pessoal de mundo ideal por um modelo coletivo de mundo ideal. Coletivismo é a tática para enxergarmos um mundo egoísta, que vive do roubo, da coerção das liberdades individuais e da propriedade privada como um éden de fraternidade.

O governo de um país é o reflexo da mentalidade de seu povo. Se todos querem governar à sua maneira para obter seus interesses, o reflexo será governo inchado, burocrático, caro e totalitário.
Outro acontecimento que contribuiu para que eu enxergasse esta corruptibilidade nas pessoas desta geração, ocorreu em minha universidade, a UFMG. Percebi o comportamento de muitos alunos se gabando das diversas bolsas e regalias que ganhavam do governo através da FUMP(Fundação Universitária Mendes Pimentel) que terceiriza para o governo a distribuição de recursos para os estudantes: bolsa moradia, bolsa transporte, bolsa material incluindo notebook e dinheiro para se “manterem”. Mas os alunos não estavam se gabando de terem conseguido porque realmente necessitavam e estavam utilizando destes recursos para a finalidade a qual foram determinados. Aqueles que nem sequer necessitavam destes recursos ou parte deles, estavam se gabando de terem conseguido burlar o sistema com informações enganosas para a obtenção destes recursos não correspondentes com suas necessidades. O pior, outros se gabavam de conseguir falsas notas fiscais de livrarias e lojas de material escolar, para gastarem o dinheiro com festas, cerveja, churrasco, namoro, lazer, etc.  Claro, constatei que estes estudantes também correspondem ao grupo de revolucionários que apoia todo o tipo de assistencialismo e medidas estatistas do governo. E também são os primeiros a protestar contra a corrupção e desvio de dinheiro público.

Eles acusam o governo de fazer aquilo que eles fazem! Mas eles pensam: “Esse dinheiro que eu estou desviando da bolsa material para fazer a farra não é nada comparado com os bilhões que a corrupção dos políticos desvia.” ”Não está prejudicando ninguém! O governo tem dinheiro demais! "A única diferença entre este tipo de pessoa e um político corrupto é que ela não está no poder, pois o pensamento e a ação que geram a corrupção é o mesmo em ambos. A mentalidade é a mesma e a ação é a mesma, só existe uma diferença de valores que estão lidando.
Mesmo aqueles que realmente usufruem das regalias do governo, segundo a finalidade para a qual foram destinadas, não devem se orgulhar disso. O governo não produz dinheiro, todo o dinheiro que o governo repassa para alguém foi tirado de outro cidadão que o produziu, através dos impostos. E, imposto, como o nome diz, é imposição. Não é um ato voluntário de solidariedade. A pessoa paga imposto porque é obrigada a pagar. E o governo usa deste dinheiro sem o consentimento de quem o produziu. O mesmo acontece também com a propriedade privada. Qualquer pessoa que recebe dinheiro ou posses de propriedade do governo não deve se orgulhar, porque não foi uma conquista por mérito, por trabalho, pelo caminho natural de se conquistar o que buscamos.

O governo realiza o caminho do roubo e repassa parte dos recursos para um grupo social de interesse. Por que o governo faz isso? Porque ele gosta de distribuir? Claro que não! O governo arrecada dinheiro das minorias que mais produzem e o repassa para a maioria que produz pouco ou nada. Como estamos em uma “democracia” e o que conta é o número de votos, a estratégia do governo é ser populista para agradar a maioria improdutiva e mantê-la improdutiva para garantir seu eleitorado.
Todos os gracejos populistas para o eleitorado são feitos às custas da minoria de empreendedores e trabalhadores bem sucedidos, que tem parte de sua riqueza roubada para o governo fazer o “Pão e Circo” para o povo e ficar com o grande resto. Aliás, toda a burocracia estatal – Salários de políticos, manutenção dos ministérios e funcionários públicos para administrar nosso dinheiro saem tão caro quanto o serviço que o governo se dispõem a fazer pela sociedade. Ser político ou corporativista em um país estatista é um grande negócio, por isso precisam tanto de um eleitorado pobre e ignorante para justificar o sistema que os mantêm pobres.

Preferem a garantia de serem “pobres com dignidade” com acesso a serviços públicos do que viverem em um livre mercado que terão maiores oportunidades de emprego, maiores salários e produtos mais baratos, para assim saírem realmente da pobreza e não dependerem de ninguém. Mas o governo quer que a sociedade dependa de suas regalias e as exija! Porque se a sociedade deixar de precisar do governo, como ele irá justificar sua existência ou os altos impostos que enriquecem seus filiados?
O governo faz suas propagandas: “Obra da prefeitura”, “Obra do governo federal”, “Governo gerou milhares de empregos”. Como se o governo fosse o autor de tudo isso. Entendam uma coisa: O setor público é pago pelo setor privado. Todas as obras, empregos e serviços públicos são pagos com o dinheiro de impostos de pessoas que trabalham para o setor privado ou são empreendedores. O governo não pagou nada disso. Quem pagou foram pessoas saqueadas, que ao invés de terem nossa consideração máxima, são taxadas de burgueses e exploradores. Qual a lógica doentia que existe nisso? Não há mediocridade maior do que a ingratidão de usufruir os recursos e ainda escarnecer aqueles que realmente os produziram.
Alguns acham que a pobreza  e a desigualdade social está diminuindo com o assistencialismo. Não que eu seja contra todo o tipo de assistencialismo. Sei que em determinadas condições um assistencialismo pode ser bem-vindo, desde que seja temporário, bem planejado e não venha acompanhado de propaganda do governo, já que não é pago por ele. Mas eu irei categoricamente dizer uma verdade que muitos nunca irão se conscientizar: riqueza e pobreza não é uma questão de ter ou não ter. Riqueza é alta produtividade e escassez é baixa produtividade. Quem acha que para acabar com a pobreza basta distribuir os recursos, nunca entenderá o que é escassez.

Podem tirar tudo de um homem produtivo, que em pouco tempo ele ficará rico novamente. Podem dar tudo para um homem improdutivo, que aos poucos ele irá perder tudo o que ganhou, por não saber administrar e multiplicar a sua riqueza. Distribuir os recursos financeiros para uma população desqualificada para o mercado de trabalho e vivendo em uma economia burocrática e decadente, nunca a tirará deste quadro de improdutividade.
Como dizia Ronald Reagan: “Acredito que o melhor programa social é um emprego". Para mim, tenho convicção que é o único verdadeiro programa social que pode tirar um indivíduo da pobreza.

Para concluir minha reflexão quero repetir o seguinte trecho, citado no inicio do texto:
“Não nego, mas afirmo o fato de que temos instintos naturais de nos preocuparmos primeiro com nós mesmos, com nossa felicidade, com nosso abastecimento de recursos materiais, com nosso sucesso e nossas conquistas... para depois nos preocuparmos com os problemas dos outros, mesmo que estes problemas sejam muito mais severos do que os nossos. Não nego nada disso. Isso é natural. São instintos de sobrevivência arraigados em nós e na maioria dos seres vivos.”
Tendo isto como verdade, a verdade é que nenhum ser humano é apto de governar e administrar as nossas vidas e nosso dinheiro melhor do que nós mesmos. Nossa natureza nos faz pecáveis ao tentar tomar as decisões por todos e prover as necessidades de todos, pois não temos o conhecimento dos desejos e interesses de cada indivíduo e mesmo a sabedoria de todos para realizá-los. O único mundo justo seria um mundo em que os governantes não tivessem o poder  para controlar e administrar a vida e a propriedade de cada individuo, mas apenas o dever de protegê-los contra a coerção alheia. Para isso, cabe apenas a existência de três setores: A segurança pública, a defesa nacional e os tribunais públicos. Trilhando aos poucos para um anarcocapitalismo, em tempos de paz mundial.

Adriano Olimpio
 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O perigo da idolatria e dos pacotes ideológicos



Qual o perigo da idolatria? Bom, certamente, todos nós temos afinidades com personalidades famosas de diferentes áreas de cultura e conhecimento. Personalidades famosas são assim reconhecidas por serem geniais em pelo menos uma atividade e/ou tema. Mas essas pessoas famosas, em geral, não dão opiniões em apenas assuntos e atividades nas quais são geniais.

A consciência não tem humildade, ela não deixa de gerar uma opinião acerca de algum assunto, mesmo sendo ignorante sobre ele. Por exemplo, posso ser bem entendido em política e economia, mas ignorante em espiritualidade e artes. Independente do grau de conhecimento que tenho sobre cada fato , irei gerar uma opinião sobre tudo o que vejo ou ouço. Levando em sequência este exemplo, algumas pessoas iriam inicialmente me admirar como referência de conhecimento em política ou economia e, depois de simpatizarem e até reverenciarem a minha pessoa, podem facilmente levar em consideração minha opinião sobre espiritualidade e artes, o que seria um equívoco da parte delas, já que serão induzidas a concordar com minha opinião por um automatismo criado por situações anteriores e diferentes.

É importante raciocinar, refletir e questionar tudo, mesmo aquilo dito por pessoas que já ganharam sua admiração e confiança. Devido ao tempo escasso de nossas vidas humanas, não é possível ser mestre e se aprofundar em todas as áreas do conhecimento, sendo já difícil e digno de admiração aquele que consegue se tornar um mestre de uma única área do conhecimento. Ter consciência desta limitação humana é necessária para sabermos que é natural que nossos “ídolos”: Líderes morais, mestres espirituais, doutores, professores e gênios autodidatas podem cometer erros grotescos e gerar opiniões ignorantes e superficiais quando opinam fora da área de conhecimento que dominam.

O cérebro processa tudo ao nosso redor, tanto aquilo que temos um contato profundo, quanto aquilo que temos um contato superficial. Em toda as pessoas existem conhecimentos provindos de contato profundo com o objeto de reflexão e “conhecimentos” provindos de contatos superficiais com o objeto reflexão. Aí está a razão para todos nós termos pontos de extrema ignorância: Não conseguimos ter um contato profundo com todas as áreas do saber. Então, mesmo sendo geniais em algumas coisas, seremos medíocres em outras.

Você certamente admira ou passará a admirar intelectualmente alguma pessoa em razão de algum conhecimento profundo  de algum assunto que ela lhe expressar, embora ela também tenha “conhecimentos” superficiais sobre outros assuntos que também eventualmente podem ser expressados.
É muito confortável encontrar alguém em que podemos nos espelhar para tudo, mas esse alguém não existe. É perigoso, por exemplo, no Brasil, levar em consideração a opinião política dos melhores artistas da MPB. Suas músicas são geniais, exprimem grande sensibilidade, mas suas opiniões políticas...Bom, a maioria deles não estudou economia e suas opiniões são geradas apenas com base em seus impulsos sentimentais. O mesmo vale para muitos outros ofícios que costumam ter ampla admiração: Muitos mestres espirituais são alienados em política. Muitos jogadores de futebol nunca leram um livro. Por isso, com clamor, dou-lhes meu recado: Saibamos dissociar as coisas!!! Admiração saudável é admirar uma pessoa por ser genial no ramo que ela dominou ou pelo o que ela faz de melhor. Outra coisa é achar que admirar uma pessoa é poder concordar com tudo o que ela diz e faz. Isso é tolice.

O problema dos pacotes ideológicos da direita e da esquerda:

Ideologia é o conjunto de ideias que formam uma filosofia de vida, sendo que nem sempre as ideias contidas na formação de uma ideologia são refletidas pelo indíviduo que a adotou, este muitas vezes se tornando apenas um seguidor da agenda de ações programada pelos representantes regionais desta ideologia e divulgador da respectiva imprensa de apoio desta ideologia. Isto é o que se chama de “idiota útil”- É o indíviduo que está engajado em uma agenda ideológica dotada de intenções, sem compreender profundamente ou sequer estar ciente das ideias que formaram a ideologia e os frutos sociais que esta ideologia produziu ao longo da história, além de não reconhecer as intenções reais da agenda, intenções que muitas vezes podem ser contraditórias à ideologia que a projetou no cenário social.

Pacote ideológico de esquerda:

Entre as ideologias comuns que um esquerdista comumente adere por influência de seu meio cultural e não porque estão intrinsecamente ligadas entre si, temos:
           
-Socialismo/Comunismo
-Feminismo
-Movimento negro
-Indigenismo
-Movimento pró-reforma agrária (MST e outros)
-Ambientalismo
-Guerrilha urbana
-Black Bloc
-Filosofia de alimentação natural
-Sindicalismo
-Movimento Hippie
-Movimento pela legalização das drogas
-Movimento LGBT
-Neo-ateísmo
-Anti-EUA(Imperialismo Yankee como dizem)
-Pró-Cuba de Fidel,
-Fanatismo por Che Guevara
-Pró Irã
-Anti-semitismo(Contra Israel e judeus sionistas)
-Pró-cotas
-Pró-legalização do aborto
-Pró-PT
-Anti-PSDB
-Anti-PM e militares em geral
-Anti-ruralistas e latifundiários
-Pró-assistencialismo estatal
-Pró-regulamentações na economia e na indústria(Intervencionismo)
-Anticristianismo
-Pró-libertinagem sexual
-Relativismo moral
-Antiarmamentismo civil
-Marxismo cultural em geral
-Ativismo em defesa dos animais
-Etc, etc, etc

Pacote ideológico de direita:

Já entre as ideologias comuns que um direitista comumente adere por influência de seu meio cultural e não porque estão intrinsecamente ligadas entre si, temos:

-Valores conservadores
-Cristianismo
-Nacionalismo
-Patriotismo
-Pró-militarismo
-Pró-armamentismo civil
-Contra a legalização das drogas
-Pudor sexual
-Tradicionalismos em geral
-Antivegetarianos e ativistas defensores de animais
-Pró testes em animais
-Liberalismo econômico
-Antivandalismo
-Anticotas
-Antiassistencialismo estatal
-Vestuário clássico
-Contra movimento LGBT
-Marcha da família
-Antiambientalismo
-Antifeminismo
-Contra a legalização do aborto
-Etc, etc, etc.

Interesse político nos extratos sociais:

Reparem que a esquerda, segundo a análise de seu pacote ideológico, agregou mais extratos sociais. Isso confere a esquerda o maior sucesso atual nas eleições. Não necessariamente as questões levantadas pelos extratos sociais tem uma relação com o socialismo. Socialismo é, resumidamente, promover o monopólio dos meios de produção e controle da economia pelo Estado, inclusive através de corporativismo, mas o que isso tem a ver com movimento negro, com LGBT, com indigenismo, com movimento hippie, com legalização do aborto, com legalização das drogas, etc? Essencialmente, não há relação nenhuma, mas existe um grande interesse politico em agregar diferentes movimentos e extratos sociais para que os indivíduos pertencentes a estes extratos e movimentos se sintam representados pela ideologia daquela política e, assim, havendo a obtenção de votos.

É lamentável que muitas pessoas pensem que só pela cor de sua pele ou por sua orientação sexual devam se sentir representadas pela esquerda. Mas isso é um mérito da esquerda política, de ter se aberto ao diálogo com esses extratos sociais. Então a esquerda é boazinha? Claro que não, apenas perceberam o eleitorado potencial que haviam nessas minorias, que juntas compõem uma maioria ou pelo menos uma parte muito significativa dos votos.

O indíviduo deveria pensar independente de seus interesses pessoais e filosofias de vida para enxergar se realmente ele deveria se vender a um determinado sistema político que governará todo um país só porque a imprensa de tal política se diz simpatizar com o fato de ele ser homossexual, revolucionário, negro, hippie ou pobre porque, mesmo que os representantes que estão no poder façam gracejos para resolver seus problemas particulares, algo mundo maior está em jogo: a liberdade e a prosperidade de toda a nação. É como se um ladrão que fizesse a vítima se simpatizar profundamente com ele, conseguisse atenuar ou distorcer o efeito do roubo. Outra comparação até mais apropriada seria de um europeu que ao conquistar um índio, lhe dando algo que ele desejava, consegue deste a liberdade e a permissão para extrair as riquezas das terras de seu povo, sendo cúmplice dos problemas sociais que sua tribo deverá enfrentar no futuro. O mesmo acontece com os políticos populistas que, com gracejos aos extratos sociais, conseguem o monopólio da economia e dos meios de produção para a sua casta.


Pois bem, listando todas as ideologias dos dois pacotes, podemos dizer que muitas ideologias contidas em um mesmo pacote não tem relação nenhuma entre si. Entretanto é raro de se ver algum esquerdista ou direitista que não adota à risca todas as ideologias do respectivo pacote. Será que todos os esquerdistas refletiram e geraram uma opinião idêntica acerca de todas as ideologias? Igualmente se ocorreu aos direitistas? Isso pra mim soa muito estranho à natureza humana da diversidade de pensamento. Isto é, ninguém tem a linha de raciocínio igual para pensar estritamente igual aos outros de sua tribo. Isto só ocorre quando, infelizmente, não pensamos, mas apenas nos deixamos levar pelo automatismo de concordar com aqueles que adotaram o mesmo pacote ideológico, por influência de convívio, do meio cultural e não por reflexões profundas.

Este fenômeno também ocorre, como já mencionei pelo conforto que existe em encontrar pessoas iguais a nós. Tanto que, mesmo que não sejamos iguais, inconscientemente buscamos esta igualdade para atingir este conforto, à ponto de abandonarmos nossa personalidade genuína e o hábito de refletir profundamente sobre os fatos. Tudo só para atingir essa igualdade forçada e confortante. Conforto de pertencer a uma tribo de pessoas que sempre vão te dar apoio moral, inflar sua vaidade e te fazer companhia em troca da sua omissão do modo diferente de pensar e da sua fidelidade à agenda ideológica do pacote.

Por exemplo, em um meio cultural de esquerda, ouse criticar o feminismo e será “apedrejado”. Em um meio cultural de direita, ouse defender os animais e será igualmente “apedrejado”. Os grupos de esquerda se dizem pró-igualdade social e os de direita condenam o multiculturalismo. Em ambos, a diferença lhes traz um extremo desconforto. Esquerda e direita querem tornar igual ou separar o diferente, respectivamente, mas nunca aceitar a diferença e conviver em harmonia com a diversidade, principalmente de opinião. É fácil aceitar homens, mulheres, gays, lésbicas, negros, brancos, amarelos, cristãos, ateus, judeus, desde que eles concordem com você. Agora se descordarem... A intolerância torna a hostilidade inevitável.
Idealistas se dizem pró todo tipo de diversidade, menos diversidade de opinião.

Não digo que devemos tolerar e agregar tudo, mas que devemos manter nossa postura racional para refletir acerca do pensamento incomum, sem hostilidade prévia. Mas em ambos os grupos a unanimidade de pensamento é uma exigência para a aceitação.

Um amigo meu, Clecio Mendonça, chegando a esta mesma conclusão, me disse:
“ Se em grupos de esquerda te chamam de reacionário e em grupos de direita te chamam de esquerdista, é sinal que está no caminho certo.”
Nós dois somos conservadores e nos identificamos com a política de liberalismo econômico e, por ser este o pilar maior contra um governo socialista, nos consideramos cidadãos de direita, embora não incorporamos todo o pacote ideológico de direita. Muito pelo contrário, mesclamos muitos valores que são supostamente esquerdistas, embora não vejamos nenhuma relação destes valores com o socialismo.

Uma prova da intolerância a diversidade de opinião:
Na época que houve toda aquela polêmica do resgate dos beagles do Instituto Royal, TODOS os grupos de direita do facebook que conhecíamos estavam atacando os defensores dos animais e defendendo arduamente os testes em animais para o bem da nação. Como se tomar conhecimento e defender modelos alternativos para desenvolvimento de medicamentos fosse um mandamento de Karl Marx. E, ao debatermos sobre o tema, no grupo “Direita Política”, de forma educada e embasada, fomos ofendidos e expulsos de imediato do grupo. Aí posso constatar plenamente que pensar igual é uma regra para os grupos seguidores dos pacotes. Se você discordar de um ponto, você não faz parte da turminha.

Você que deseja se libertar desta falsa igualdade social e assumir sua personalidade única, livre para mesclar, concordar, discordar de quaisquer ideologias ou ideias contidas nelas, crie o seu próprio pacote.
Não compre afirmações que não passaram por sua reflexão, não levante bandeiras que você não sabe a fundo o que representam e, principalmente, não exija a vontade dos outros.
Realize as suas vontades, viva a sua vida e expresse suas ideias genuínas. É preciso ter autoestima para assumir o que você é e evoluir para o que só você pode se tornar. E, por fim, desista de discutir com “os iguais”.

Adriano Olimpio


Termino esta reflexão com um trecho do texto “Histéricos no poder”, escrito pelo Prof.Olavo de Carvalho:

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Explicando a importância da liberdade individual e como que em uma sociedade livre quem manda é o mercado consumidor


Vejo constantemente muitas pessoas criticando grandes empresas que oferecem produtos industrializados e serviços com o argumento de que estas impõem o padrão de consumo da sociedade, tirando do mercado os produtos que a humanidade necessita e oferecendo apenas o que é de interesse mais lucrativo. Alguns paranóicos cogitam a hipótese de que um dia só haverá oferta de produtos industrializados (porque são mais lucrativos e agregam valor) e darão sumiço aos produtos in-natura. Uma das maiores críticas e referência no assunto é a indiana Vandana Shiva, confira:

“Infelizmente, o chamado livre comércio trouxe a liberdade para as corporações, mas não para as pessoas. As corporações estão escrevendo as regras e se tornando os governantes.[...]Originalmente, o livre comércio deveria reconhecer a liberdade de todas as espécies e por isso não destruiria nenhuma espécie nem ecossistema. Originalmente, o livre comércio reconheceria os direitos dos camponeses e dos povos indígenas e, por isso, não iria cortar as raízes. Reconheceria também os direitos dos pequenos agricultores familiares e iria cuidar para que existam preços justos, ao invés de tentar debilitar o preço por meio de dumping e jogando fora os produtos.Um verdadeiro livre comércio seria a liberdade para as pessoas e não a liberdade para as corporações. O que nós temos agora é uma corporatização global com uma negligência total, uma destruição negligente e desatenta.” *

Leram? Antes ressalto dois erros desta senhora: O 1° é considerar que nações que criam regras de controle de produção favorecendo corporações são nações de política de livre mercado, quando tal postura é justamente de política estatista. Em um país que assume política de livre mercado, a produção logicamente não é controlada pelo Estado. O 2° erro é determinar previamente os rumos do livre comércio, dizendo: “O livre comércio DEVERIA” isso, “o livre comércio deveria” aquilo.Ora, o nome já diz, o livre comércio é livre, não tem um programa determinado de ações, então não tem como acusar o livre comércio de um suposto compromisso ou objetivo que ele nunca determinou em sua essência. Quem determina os rumos do livre comércio são as escolhas individuais dos consumidores, ou seja, é de caráter democrático. O livre comércio não tem ética, quem tem ética são as pessoas. Se o livre mercado local produz uma condição anti-ética ou produto anti-ético, a vossa queixa tem de ser dirigida às pessoas que demandam esta produção.
Enfim, muito sentimental seu discurso humanitário e sua crítica ao livre mercado. Porém vamos entender a realidade na prática.

Vou citar um exemplo modelo:

Imagine uma grande empresa de suco de maçã industrializado.Através de uma pesquisa de mercado feita por esta empresa, foi constatado que grande parte do pontencial mercado consumidor deixa de consumir o produto, por achar mais barato e mais saudável, comprar maçãs e fazer o próprio suco.

Ora, para acabar com essa concorrência, a grande empresa, possuidora de grande poder financeiro, decide ir aos grandes produtores/fornecedores de maçãs e oferece pagar por toda safra um preço maior do que o valor que atualmente é pago pelo mercado, para tirar quase todo o produto do mercado, inflacionando seu preço.

Acontecerá que a quantidade de maçãs in-natura no mercado irá diminuir, restando apenas as maçãs de alguns pequenos produtores. Como o produto estará escasso, seu preço aumentará e parte do mercado consumidor irá preferir comprar o suco de maçã industrializado como a empresa planejou. Porém, uma parte do mercado não abre mão de suas preferências e está disposto, mesmo pagando mais caro, à adquirir as maças in-natura.

Portanto, na próxima safra, a grande empresa terá empecilhos para repetir a proeza. Quando chegar aos mesmos produtores/fornecedores e fizer a mesma oferta, eles não aceitarão, pois a inflação que a empresa causou na safra passada fez a maçã in-natura valorizar tanto, que a empresa terá que pagar muito mais caro pelas maçãs! E mesmo que não queira dessa vez comprar todas as maçãs do mercado, terá que comprar pelo menos a quantidade  para a elaboração de seu produto, já que é sua matéria prima, pagando também, claro, o preço inflacionado, gerando-lhe um grande prejuízo. Ou seja, “deu um tiro no próprio pé!”

Uma questão de liberdade de escolha:

Sou um praticante de alimentação saudável, mas não me torno neurótico quando vejo produtos que eu não considero saudáveis sendo ofertados. Defendo a liberdade das pessoas de escolherem o que consomem. Se existem alimentos maléficos à saúde, de má qualidade nutricional e má procedência, é porque tem pessoas que ainda assim não abrem mão do produto e pagam para que continue a ser ofertado.

É o mercado que define a variedade, a qualidade e a quantidade dos produtos e serviços à serem ofertados. Em uma sociedade livre, nós decidimos o que compramos. E uma empresa só produz se houver demanda. Se existem produtos cheios de gordura hidrogenada, transgênicos, conservantes e todo o tipo de química e anti-nutrientes, é porque há pessoas que não se importam com isso e valorizam outros aspectos como sabor, praticidade, efeitos psicoativos, etc. E quem sou eu pra tirar essa liberdade dos consumidores? Respeito as escolhas individuais. Faço a minha parte de consumir apenas o que eu quero, de educar minha família e recomendar aos amigos os alimentos de características e procedências que eu valorizo, para que o mercado oferte as preferências que eu demando.

Quer mais variedade de alimentos saudáveis, orgânicos, sem lactose, sem gordura, sem conservantes, dietétiticos, in-natura, sem colesterol, etc, sendo ofertados? Então só compre este grupo de alimentos, não compre o oposto, eduque e recomende sua família, amigos e sociedade à fazer o mesmo, e veja o mercado ofertar, como eu tenho visto lançar, à cada dia, uma novidade que se enquadra dentre preferências diversas de qualidade, atributos e procedências.

O mercado não vai lucrar ofertando aquilo que ele quer vender, mas ninguém quer comprar. Quem decide é o consumidor! Não é preciso nenhum órgão estatal para censurar a produção de um determinado produto. Se as pessoas democraticamente não quiserem tal produto, a empresa irá falir e o produto naturalmente deixará de existir. Basta um trabalho de conscientização acerca do que se compra.

Aproveitando para explicar o sistema socialista de produção:

Havendo produtos que façam mal ou façam bem, o importante é termos liberdade para escolher. O único modo de não termos essa liberdade é se estivermos em uma nação, cujo sistema político estatal tenha o controle sobre os meios de produção, como o socialismo, tirando do mercado o papel de representar as preferências de seu povo. É o que chamamos de a “ditadura do proletariado”, em que o valor não é subjetivo ( o quanto o consumidor está disposto à pagar), mas sim determinado pelas “ forças de trabalho** empregadas” (O quanto quem produziu determinou, obrigando o indivíduo à pagar tal valor, mesmo sem sequer desejar tal produto).

Quando o sistema de produção determina o valor dos produtos e serviços, quem se importa com as preferências do consumidor? Sendo assim, quem produz, além de impor o preço, também vai impor O QUE produzir, queira o consumidor ou não, pois sua opinião não poderá decidir a variedade(bens substitutos e complementares), a qualidade, a procedência e a qualidade. Quando o Estado controla a produção, as vozes das preferências individuais não são consideradas. O grupo que controla a produção (proletariado segundo Karl Marx) terá a prepotência de considerar-se representante da escolha geral. Será o Estado, um grupo de pessoas que está no poder, capaz de representar tão bem todas as nossas vozes individuais? O mercado sim. Pois cada cédula ou moeda que pagamos por um produto ou serviço, é como um voto, expressa nossa preferência por ele e serve de incentivo para que, quem o oferta, continue ofertando e satisfazendo nossas necessidades individuais.

Viva a liberdade! Liberdade de empreender e ofertar! Se permito que em nossa cultura seja legítimo se dar o direito de exigir o controle ou a censura estatal à um bem ou serviço que não me agrada, um dia poder-se-á fazer à um bem ou serviço que necessito!
Não desejo anarquia, desejo um estado mínimo que garanta a proteção à vida, ao pudor e a segurança da nação perante outras nações. O resto deixemos a liberdade expressar democraticamente o que queremos em suas devidas proporções.

"O comércio contribuiu para torná-los mais livres, e, por sua vez, a liberdade ampliou o comércio." Voltaire

Os problemas de uma ordem livre e a importância da consonância das virtudes com a liberdade

É claro que as previsíveis falhas de um sistema político livre em uma sociedade existem e são óbvias: Correspondem às falhas individuais e/ou das deficiências de valores dos indivíduos pertencentes a esta sociedade. Se grande parte destes indivíduos tiverem hábitos promíscuos, preguiçosos e antiéticos, o mercado produzirá para a sociedade aquilo correspondente a estes hábitos. Por isso ressalta-se a importância da coexistência de uma ordem livre com uma cultura de valores conservadores - trabalho, compromisso, respeito, integridade, conduta reta, cavalheirismo, civilidade, reverência à Deus e afabilidade entre seu povo. 

Uma moral conservadora não quer dizer que, em quem a possui, há impedimento para mudanças morais e aprender novas virtudes.  

Uma moral conservadora faz referência aos valores comuns aos nossos bem-aventurados compatriotas do século passado, que desconheciam toda a libertinagem e má aventurança que infiltrou-se na nossa cultura travestida de bonitos princípios revolucionários com premissas éticas e libertadoras, quando na verdade só serviram para destruir a família, a fé e a liberdade do nosso povo. 

Uma moral conservadora significa manter a base. Significa ser fiel aos seus valores, de modo a filtrar bem as influências externas, para não acabar como aqueles desregrados, que de tão susceptíveis à qualquer influência, perderam a noção do pudor, do certo e do errado e ainda ficando tão confusos à ponto de se acharem com razão.

O conservadorismo em consonância ao libertarianismo gera uma população livre e virtuosa. Só com virtudes sabemos aproveitar nossa liberdade para o bem, sem cair em libertinagem. E só em liberdade pode-se desenvolver virtudes.

Considerações finais à perspectiva ética da liberdade:

Não sou relativista à ponto de achar que o certo e o errado dependem do ponto de vista ou das preferências de cada indivíduo. Pelo contrário, penso que os imparciais tem lugar reservado no inferno. Tenho sim meu credo e minhas convicções de caráter absoluto acerca do bem e o mal. Acredito em Deus e não quero contrariar a natureza de seu sistema, em que existem possibilidades e perspectivas boas e ruins como efeito de diversas escolhas que tomemos e ações que façamos EM LIBERDADE. 

Acredito que todo progresso real é feito em liberdade. Reconheço toda a bondade divina em nos permitir reconhecer o bem e o mal através de experiências proporcionadas pela vida, muitas vezes dolorosas, mas que só assim podemos aprender a distinção entre o bem e o mal, aprendendo com os erros e encontrando nossa essência nos acertos, engajando cada vez mais em Seu amor, Suas virtudes e aprendendo à amar a vida. Reconhecendo o caminho de luz que a incompreendida e às vezes perigosa liberdade pode nos conduzir.

Não aprenderíamos nada, sem vivenciar as dualidades do mundo, se já nascêssemos num paraíso, sem um parâmetro oposto para reconhecê-lo como tal. Não reconhecemos a face do bem, se não conhecemos a face do mal. 

Ninguém vai evoluir preso no jardim do Éden e não é a missão humana criar tal condição na vida daqueles que precisam evoluir. O paraíso ou a perfeição é uma condição interna que devemos atingir, não é algo concreto que devemos externar. A dádiva da liberdade que Deus nos deu para nossa evolução pode ser vista como uma águia que empurra o filhote do ninho para aprender a voar. Não cometamos o erro de querer tirar a liberdade dos nossos irmãos e compatriotas, com a premissa de que nosso senso ético acredita ser o melhor para eles. O melhor para cada um deles é descobrir por si a melhor condição e compreensão da vida, e só em liberdade é possível tal descoberta. 
Nada é mais sagrado que a liberdade. Nem mesmo a ética.

Adriano Olimpio



*Parte da entrevista de Tatiane Ribeiro e Toni Sciarretta e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 24-08-2013, no 3º Encontro Internacional de Agroecologia, em Botucatu.
**Conceito de valor usado por Karl Marx


segunda-feira, 18 de março de 2013

Relações sexuais casuais intoxicam o amor


Quando crianças, na primeira vez que ouvimos falar de sexo, pela escola ou  por nossos próprios pais, compreendemos que sexo é feito por casais como nossos pais: que são casados, vivem juntos, se amam e formam uma família. Depois, quando adolescentes, nesta época, temos a concepção de que se faz sexo com alguém o qual estamos apaixonados. Mais futuramente, durante o período de faculdade principalmente, ou início da vida adulta, a maioria de nós nos habituamos a fazer sexo casual, que leva inconscientemente a formar em nós a concepção de que sexo se faz simplesmente por necessidade, quando queremos. E, quando carecem de requisitos para realizarmos uma relação sexual, esta se torna o objetivo único do relacionamento que exercemos. Antes o sexo era uma consequência do amor, agora independente dele. E à medida que desvinculamos o pré-requisito de amar de nossos hábitos, o amor deixa de ser necessário para nós. Desapegamos do amor. O amor deixa de existir nas nossas vidas. Porque quando somos capazes de fazer coisas sem amar, não conseguimos amar as coisas.

Imagine uma moça neste contexto: - Criada em uma família tradicional no interior, cresceu vendo espelhada em seus pais a concepção de relação sexual intrínseca ao amor, à união estável e à família. Até que, na adolescência, influenciada pelos hormônios e contos de romance, presentes em sua mídia e cultura, desenvolve a ideia de que sexo não necessariamente pertence ao matrimônio, mas também à paixão eventual, tal que até o final do período de adolescência, pode ela ter tido um, dois ou três namorados, e, que, com algum deles, iniciou o ato sexual. Terminando este período, irá ela tornar-se universitária, estudando na capital, morando em república. Em 4 a 5 anos, em que ela irá morar sem os pais e com moças de mesma idade, portanto em um lar certamente desprovido de muitas das regras e bons costumes que antes ela tinha de se guiar, estará ela sujeita a perder sua disciplina com o excesso de liberdade. E as relações sexuais casuais tendem a ganhar oportunidade na vida desta moça, pois o excesso de liberdade dos jovens é um meio propício para a libertinagem. Outro fator relevante é que, longe dos pais, estará longe das únicas pessoas que a amam incondicionalmente. Esta separação espacial leva a surgir uma forte carência de afeto. Se juntarmos o excesso de liberdade com uma forte carência, deseja-se usar a liberdade para encontrar ou receber alguém capaz de suprir essa carência. Como é impossível encontrar alguém que se ama e te ame, da noite para o dia, o mais comum é depositar essa carência em alguém que não será capaz de supri-la com amor, mas com sexo, de modo que, para tal, terá a moça que desvincular o amor do ato sexual, para poder suprir sua necessidade. E à medida que esta experiência for se repetindo, mais irá se consolidando o sentido que o sexo possui na vida desta moça: Não mais que uma necessidade; Bem como irá se consolidar a sua forma de se relacionar com os homens: Superficialmente.

Vejamos que neste exemplo o qual ocorre tanto para homens quanto para mulheres que, na medida em que temos relações sexuais casuais, nos acostumamos a não amar quem nos relacionamos. Não amar em um relacionamento se torna um costume. E costume é algo que fica impregnado em nós, não é algo que se mude com facilidade. Nossos costumes nos tornam o que somos. Você define uma pessoa pelos costumes dela.
Se possuímos o hábito de não amar as pessoas com quem nos relacionamos, obviamente teremos dificuldade de amá-las quando for conveniente. Quando estivermos na faixa dos 30 anos, bem sucedidos financeiramente e socialmente, prontos para casar e constituir família, não vai acontecer de simplesmente: "Pronto, agora eu vou amar!" Como? Se passamos um terço de nossas vidas aprendendo a não amar, desapegando do amor e desvinculando o amor dos nossos relacionamentos íntimos?
Resumindo: teremos dificuldade de gostar das pessoas e de nós mesmos, porque ao mesmo tempo em que usamos as pessoas só para satisfazer nossas necessidades, também nos deixamos nesta condição de sermos usados como objetos. Existe então uma coisificação do nosso corpo, numa progressiva redução de fins: Antes pensávamos que nosso corpo só podia ser acessível a quem nos amasse e conosco constituísse família, depois por quem nos apaixonássemos e agora por quem necessite. Deixamos nosso valor se reduzir a tal ponto, que não temos nada a oferecer além uma momentânea satisfação fisiológica.

Claro que iremos pensar que os homens são todos iguais ou as mulheres são todas iguais, pois a única função que todos os homens ou mulheres que nos relacionamos desempenharam, durante nossas vidas, foi a satisfação de necessidade sexual. Então, certamente, não veremos diferença entre eles ou elas.
Há toda uma intoxicação do nosso potencial de amar as pessoas. O amor é um potencial que se manifesta quando é praticado. Quando é feito o contrário, a nossa capacidade amar se atrofia. Somos o que praticamos. Fazemos o que acostumamos a fazer.

Não sendo católico, nem protestante, embora admirador de Jesus Cristo e de muitos ensinamentos da Bíblia, reconheço o valor da orientação desde os tempos mais remotos em que foi formada a cultura cristã, até os dias de hoje, em que os jovens são instruídos a só fazerem sexo depois do casamento e manterem uma postura reservada. Antes pensava que se tratava de mera burocracia e conservadorismo, mas hoje percebo as benfeitorias de tal orientação, de modo que os casamentos de antigamente duravam mais. De modo contrário, na sociedade atual em que está se desagregando progressivamente dos valores cristãos, o número de divórcios nunca foi tão alto. Dentre vários motivos particulares que cada casal pode alegar por se divorciar, cito um causa geral: As pessoas não estão conseguindo se amar.

A igreja foi e é sábia desde sempre em tentar preservar a castidade dos jovens para que, no momento oportuno, encontrem o amor. Encontrar o amor não é encontrar um bom homem ou uma boa mulher. Há sempre pessoas boas em todos os lugares. Encontrar o amor é ser capaz de amar. Para sermos capazes de amar não devemos nos contaminar com experiências que nos ensinem a não amar.

Adriano Olimpio