Venho hoje falar aqui da cultura
de corrupção que está impregnada em nós brasileiros. Sim, venho falar da origem
da grande corrupção política que faz nossa sociedade passar por tantos problemas
sociais: o caráter. Cada ser humano possui um caráter peculiar de sua educação
familiar, mas nós brasileiros temos algo em comum por cultura: somos
corruptíveis e muito. E, o pior: não sabemos disso já que, enquanto nossa
corrupção ainda é discreta, chamamos a corrupção de malandragem. E, malandro, entre nós
brasileiros, não é sinônimo de corrupto, mas de esperto.
Não nego, mas afirmo o fato de
que temos instintos naturais de nos preocuparmos primeiro com nós mesmos, com
nossa felicidade, com nosso abastecimento de recursos materiais, com nosso
sucesso e nossas conquistas... para depois nos preocuparmos com os problemas
dos outros, mesmo que estes problemas sejam muito mais severos do que os
nossos. Não nego nada disso. Isso é natural. São instintos de sobrevivência
arraigados em nós e na maioria dos seres vivos. Todos competimos por recursos,
mas nós, humanos racionais e civilizados, damas e cavalheiros dignos de
respeito, independente da classe social em que nos encontramos no momento,
devemos ter o mínimo de decência, um código de ética básico, para ir em busca
dos nossos próprios interesses sem sermos medíocres e usar da coerção aos
nossos semelhantes para obter nossas conquistas.
Sempre quis identificar o
fenômeno que fosse a raiz de toda a mediocridade do indivíduo que se encontra
menos empenhado nos caminhos naturais para suas conquistas, mas empenhado na
busca de algo ou alguém que dê a ele, “de bandeja”, os recursos que deseja.
O Caminho Natural e o Saque:
O caminho natural é que a
conquista sempre vem com merecimento e merecimento vem com trabalho. Mas existe outro caminho para a conquista: o
roubo, que vem com a coerção, consistindo em tomar a posse de bens conquistados
por outros indivíduos que usaram, a princípio, o caminho natural.
Pode-se dizer que toda propriedade ou bem de consumo é criada pela agregação de valor que o homem sempre deu e continua dando a
matéria e a produção de bens e serviços através dela, ou seja, pela capacidade
de um homem de produzir e servir, para outro homem, aquilo que este segundo
deseja, para então ter capital ou crédito para trocar seu trabalho por recursos
específicos que compõem seus desejos particulares. Pode-se dizer também que
toda a riqueza e todo o valor já agregado foram gerados por indivíduos que trilharam o caminho natural.
O roubo não pode criar, o roubo
pode apenas distribuir ou transferir a riqueza daqueles que a produzem ou
de onde a alocaram, no curso da história.
Houve uma “luz” que me ajudou a
identificar este fenômeno, a raiz de toda a mediocridade daqueles que se negam
a produzir, pela preferência de saquear através de um poder maior. Estava
escutando uma música, o título da música entrou em sintonia com a seguinte
reflexão: Qual poder pode sobrepor a produtividade humana? - Qual poder pode
controlar a produtividade humana? O governo.
O titulo da música é “Everybody
Wants To Rule The World” do Tears For Fears, traduzindo: Todos querem governar o mundo. O título
dessa música clareou tudo em minha mente. O fenômeno se tornou facilmente
observável por repetidas vezes: Todos querem governar o mundo segundo seus
interesses particulares. Ao invés de produzir, querem governar a produção
alheia. Querem criar leis, cada um com seu modelo de mundo ideal que lhe
convém. Querem aquilo que só o roubo é capaz - A distribuição de recursos pela
expropriação de quem os produziu. Querem, além da expropriação de bens, a
expropriação de liberdade alheia, para poderem vislumbrar um mundo onde tudo e
todos estarão aonde e como seus desejos pessoais os alocarem. Em sua defesa,
legitimam o roubo com premissas éticas e necessárias para o “bem-estar social”,
mascarando o modelo pessoal de mundo ideal por um modelo coletivo de mundo
ideal. Coletivismo é a tática para enxergarmos um mundo egoísta, que vive do
roubo, da coerção das liberdades individuais e da propriedade privada como um éden
de fraternidade.
O governo de um país é o reflexo
da mentalidade de seu povo. Se todos querem governar à sua maneira para obter
seus interesses, o reflexo será governo inchado, burocrático, caro e
totalitário.
Outro acontecimento que
contribuiu para que eu enxergasse esta corruptibilidade nas pessoas desta geração,
ocorreu em minha universidade, a UFMG. Percebi o comportamento de muitos alunos
se gabando das diversas bolsas e regalias que ganhavam do governo através da
FUMP(Fundação Universitária Mendes Pimentel) que terceiriza para o governo a
distribuição de recursos para os estudantes: bolsa moradia, bolsa transporte,
bolsa material incluindo notebook e dinheiro para se “manterem”. Mas os alunos não
estavam se gabando de terem conseguido porque realmente necessitavam e estavam
utilizando destes recursos para a finalidade a qual foram determinados. Aqueles
que nem sequer necessitavam destes recursos ou parte deles, estavam se
gabando de terem conseguido burlar o sistema com informações enganosas para a
obtenção destes recursos não correspondentes com suas necessidades. O pior,
outros se gabavam de conseguir falsas notas fiscais de livrarias e lojas de
material escolar, para gastarem o dinheiro com festas, cerveja, churrasco,
namoro, lazer, etc. Claro, constatei que
estes estudantes também correspondem ao grupo de revolucionários que apoia todo
o tipo de assistencialismo e medidas estatistas do governo. E também são os
primeiros a protestar contra a corrupção e desvio de dinheiro público.
Eles acusam o governo de fazer
aquilo que eles fazem! Mas eles pensam: “Esse dinheiro que eu estou desviando
da bolsa material para fazer a farra não é nada comparado com os bilhões que a
corrupção dos políticos desvia.” ”Não está prejudicando ninguém! O governo tem
dinheiro demais! "A única diferença entre este tipo de pessoa e um político
corrupto é que ela não está no poder, pois o pensamento e a ação que geram a
corrupção é o mesmo em ambos. A mentalidade é a mesma e a ação é a mesma, só
existe uma diferença de valores que estão lidando.
Mesmo aqueles que realmente
usufruem das regalias do governo, segundo a finalidade para a qual foram
destinadas, não devem se orgulhar disso. O governo não produz dinheiro, todo o
dinheiro que o governo repassa para alguém foi tirado de outro cidadão que o
produziu, através dos impostos. E, imposto, como o nome diz, é imposição. Não é
um ato voluntário de solidariedade. A pessoa paga imposto porque é obrigada a
pagar. E o governo usa deste dinheiro sem o consentimento de quem o produziu. O
mesmo acontece também com a propriedade privada. Qualquer pessoa que recebe
dinheiro ou posses de propriedade do governo não deve se orgulhar, porque não
foi uma conquista por mérito, por trabalho, pelo caminho natural de se
conquistar o que buscamos.
O governo realiza o caminho do
roubo e repassa parte dos recursos para um grupo social de interesse. Por que o
governo faz isso? Porque ele gosta de distribuir? Claro que não! O governo
arrecada dinheiro das minorias que mais produzem e o repassa para a maioria que
produz pouco ou nada. Como estamos em uma “democracia” e o que conta é o número
de votos, a estratégia do governo é ser populista para agradar a maioria improdutiva
e mantê-la improdutiva para garantir seu eleitorado.
Todos os gracejos populistas para
o eleitorado são feitos às custas da minoria de empreendedores e trabalhadores
bem sucedidos, que tem parte de sua riqueza roubada para o governo fazer o “Pão
e Circo” para o povo e ficar com o grande resto. Aliás, toda a burocracia
estatal – Salários de políticos, manutenção dos ministérios e funcionários
públicos para administrar nosso dinheiro saem tão caro quanto o serviço que o
governo se dispõem a fazer pela sociedade. Ser político ou corporativista em
um país estatista é um grande negócio, por isso precisam tanto de um eleitorado
pobre e ignorante para justificar o sistema que os mantêm pobres.
Preferem a garantia de serem
“pobres com dignidade” com acesso a serviços públicos do que viverem em um
livre mercado que terão maiores oportunidades de emprego, maiores salários e
produtos mais baratos, para assim saírem realmente da pobreza e não dependerem
de ninguém. Mas o governo quer que a
sociedade dependa de suas regalias e as exija! Porque se a sociedade deixar de
precisar do governo, como ele irá justificar sua existência ou os altos
impostos que enriquecem seus filiados?
O governo faz suas propagandas:
“Obra da prefeitura”, “Obra do governo federal”, “Governo gerou milhares de
empregos”. Como se o governo fosse o autor de tudo isso. Entendam uma coisa: O
setor público é pago pelo setor privado. Todas as obras, empregos e serviços
públicos são pagos com o dinheiro de impostos de pessoas que trabalham para o
setor privado ou são empreendedores. O governo não pagou nada disso. Quem pagou
foram pessoas saqueadas, que ao invés de terem nossa consideração máxima, são
taxadas de burgueses e exploradores. Qual a lógica doentia que existe nisso?
Não há mediocridade maior do que a ingratidão de usufruir os recursos e ainda
escarnecer aqueles que realmente os produziram.
Alguns acham que a pobreza e a desigualdade social está diminuindo com o
assistencialismo. Não que eu seja contra todo o tipo de assistencialismo. Sei
que em determinadas condições um assistencialismo pode ser bem-vindo, desde que
seja temporário, bem planejado e não venha acompanhado de propaganda do
governo, já que não é pago por ele. Mas eu irei categoricamente dizer uma
verdade que muitos nunca irão se conscientizar: riqueza e pobreza não é uma
questão de ter ou não ter. Riqueza é alta produtividade e escassez é baixa
produtividade. Quem acha que para acabar com a pobreza basta distribuir os
recursos, nunca entenderá o que é escassez.
Podem tirar tudo de um homem
produtivo, que em pouco tempo ele ficará rico novamente. Podem dar tudo para um
homem improdutivo, que aos poucos ele irá perder tudo o que ganhou, por não
saber administrar e multiplicar a sua riqueza. Distribuir os recursos
financeiros para uma população desqualificada para o mercado de trabalho e
vivendo em uma economia burocrática e decadente, nunca a tirará deste quadro de
improdutividade.
Como dizia Ronald Reagan:
“Acredito que o melhor programa social é um emprego". Para mim, tenho convicção
que é o único verdadeiro programa social que pode tirar um indivíduo da
pobreza.
Para concluir minha reflexão
quero repetir o seguinte trecho, citado no inicio do texto:
“Não nego, mas afirmo o fato de
que temos instintos naturais de nos preocuparmos primeiro com nós mesmos, com
nossa felicidade, com nosso abastecimento de recursos materiais, com nosso
sucesso e nossas conquistas... para depois nos preocuparmos com os problemas
dos outros, mesmo que estes problemas sejam muito mais severos do que os
nossos. Não nego nada disso. Isso é natural. São instintos de sobrevivência
arraigados em nós e na maioria dos seres vivos.”
Tendo isto como verdade, a
verdade é que nenhum ser humano é apto de governar e administrar as nossas
vidas e nosso dinheiro melhor do que nós mesmos. Nossa natureza nos faz
pecáveis ao tentar tomar as decisões por todos e prover as necessidades de
todos, pois não temos o conhecimento dos desejos e interesses de cada indivíduo
e mesmo a sabedoria de todos para realizá-los. O único mundo justo seria um
mundo em que os governantes não tivessem o poder para controlar e administrar a vida e a
propriedade de cada individuo, mas apenas o dever de protegê-los contra a
coerção alheia. Para isso, cabe apenas a existência de três setores: A
segurança pública, a defesa nacional e os tribunais públicos. Trilhando aos poucos
para um anarcocapitalismo, em tempos de paz mundial.

