terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Corrupção Latente: Acuse os políticos de fazer o que você faz!


Venho hoje falar aqui da cultura de corrupção que está impregnada em nós brasileiros. Sim, venho falar da origem da grande corrupção política que faz nossa sociedade passar por tantos problemas sociais: o caráter. Cada ser humano possui um caráter peculiar de sua educação familiar, mas nós brasileiros temos algo em comum por cultura: somos corruptíveis e muito. E, o pior: não sabemos disso já que, enquanto nossa corrupção ainda é discreta, chamamos a corrupção de malandragem. E, malandro, entre nós brasileiros, não é sinônimo de corrupto, mas de esperto.
Não nego, mas afirmo o fato de que temos instintos naturais de nos preocuparmos primeiro com nós mesmos, com nossa felicidade, com nosso abastecimento de recursos materiais, com nosso sucesso e nossas conquistas... para depois nos preocuparmos com os problemas dos outros, mesmo que estes problemas sejam muito mais severos do que os nossos. Não nego nada disso. Isso é natural. São instintos de sobrevivência arraigados em nós e na maioria dos seres vivos. Todos competimos por recursos, mas nós, humanos racionais e civilizados, damas e cavalheiros dignos de respeito, independente da classe social em que nos encontramos no momento, devemos ter o mínimo de decência, um código de ética básico, para ir em busca dos nossos próprios interesses sem sermos medíocres e usar da coerção aos nossos semelhantes para obter nossas conquistas.
Sempre quis identificar o fenômeno que fosse a raiz de toda a mediocridade do indivíduo que se encontra menos empenhado nos caminhos naturais para suas conquistas, mas empenhado na busca de algo ou alguém que dê a ele, “de bandeja”, os recursos que deseja.

O Caminho Natural e o Saque:

O caminho natural é que a conquista sempre vem com merecimento e merecimento vem com trabalho.  Mas existe outro caminho para a conquista: o roubo, que vem com a coerção, consistindo em tomar a posse de bens conquistados por outros indivíduos que usaram, a princípio, o caminho natural.
Pode-se dizer que toda propriedade ou bem de consumo é criada pela agregação de valor que o homem sempre deu e continua dando a matéria e a produção de bens e serviços através dela, ou seja, pela capacidade de um homem de produzir e servir, para outro homem, aquilo que este segundo deseja, para então ter capital ou crédito para trocar seu trabalho por recursos específicos que compõem seus desejos particulares. Pode-se dizer também que toda a riqueza e todo o valor já agregado foram gerados por indivíduos  que trilharam o caminho natural.
O roubo não pode criar, o roubo pode apenas distribuir ou transferir a riqueza daqueles que a produzem ou de onde a alocaram, no curso da história.
Houve uma “luz” que me ajudou a identificar este fenômeno, a raiz de toda a mediocridade daqueles que se negam a produzir, pela preferência de saquear através de um poder maior. Estava escutando uma música, o título da música entrou em sintonia com a seguinte reflexão: Qual poder pode sobrepor a produtividade humana? - Qual poder pode controlar a produtividade humana? O governo.

O titulo da música é “Everybody Wants To Rule The World” do Tears For Fears, traduzindo: Todos querem governar o mundo. O título dessa música clareou tudo em minha mente. O fenômeno se tornou facilmente observável por repetidas vezes: Todos querem governar o mundo segundo seus interesses particulares. Ao invés de produzir, querem governar a produção alheia. Querem criar leis, cada um com seu modelo de mundo ideal que lhe convém. Querem aquilo que só o roubo é capaz - A distribuição de recursos pela expropriação de quem os produziu. Querem, além da expropriação de bens, a expropriação de liberdade alheia, para poderem vislumbrar um mundo onde tudo e todos estarão aonde e como seus desejos pessoais os alocarem. Em sua defesa, legitimam o roubo com premissas éticas e necessárias para o “bem-estar social”, mascarando o modelo pessoal de mundo ideal por um modelo coletivo de mundo ideal. Coletivismo é a tática para enxergarmos um mundo egoísta, que vive do roubo, da coerção das liberdades individuais e da propriedade privada como um éden de fraternidade.

O governo de um país é o reflexo da mentalidade de seu povo. Se todos querem governar à sua maneira para obter seus interesses, o reflexo será governo inchado, burocrático, caro e totalitário.
Outro acontecimento que contribuiu para que eu enxergasse esta corruptibilidade nas pessoas desta geração, ocorreu em minha universidade, a UFMG. Percebi o comportamento de muitos alunos se gabando das diversas bolsas e regalias que ganhavam do governo através da FUMP(Fundação Universitária Mendes Pimentel) que terceiriza para o governo a distribuição de recursos para os estudantes: bolsa moradia, bolsa transporte, bolsa material incluindo notebook e dinheiro para se “manterem”. Mas os alunos não estavam se gabando de terem conseguido porque realmente necessitavam e estavam utilizando destes recursos para a finalidade a qual foram determinados. Aqueles que nem sequer necessitavam destes recursos ou parte deles, estavam se gabando de terem conseguido burlar o sistema com informações enganosas para a obtenção destes recursos não correspondentes com suas necessidades. O pior, outros se gabavam de conseguir falsas notas fiscais de livrarias e lojas de material escolar, para gastarem o dinheiro com festas, cerveja, churrasco, namoro, lazer, etc.  Claro, constatei que estes estudantes também correspondem ao grupo de revolucionários que apoia todo o tipo de assistencialismo e medidas estatistas do governo. E também são os primeiros a protestar contra a corrupção e desvio de dinheiro público.

Eles acusam o governo de fazer aquilo que eles fazem! Mas eles pensam: “Esse dinheiro que eu estou desviando da bolsa material para fazer a farra não é nada comparado com os bilhões que a corrupção dos políticos desvia.” ”Não está prejudicando ninguém! O governo tem dinheiro demais! "A única diferença entre este tipo de pessoa e um político corrupto é que ela não está no poder, pois o pensamento e a ação que geram a corrupção é o mesmo em ambos. A mentalidade é a mesma e a ação é a mesma, só existe uma diferença de valores que estão lidando.
Mesmo aqueles que realmente usufruem das regalias do governo, segundo a finalidade para a qual foram destinadas, não devem se orgulhar disso. O governo não produz dinheiro, todo o dinheiro que o governo repassa para alguém foi tirado de outro cidadão que o produziu, através dos impostos. E, imposto, como o nome diz, é imposição. Não é um ato voluntário de solidariedade. A pessoa paga imposto porque é obrigada a pagar. E o governo usa deste dinheiro sem o consentimento de quem o produziu. O mesmo acontece também com a propriedade privada. Qualquer pessoa que recebe dinheiro ou posses de propriedade do governo não deve se orgulhar, porque não foi uma conquista por mérito, por trabalho, pelo caminho natural de se conquistar o que buscamos.

O governo realiza o caminho do roubo e repassa parte dos recursos para um grupo social de interesse. Por que o governo faz isso? Porque ele gosta de distribuir? Claro que não! O governo arrecada dinheiro das minorias que mais produzem e o repassa para a maioria que produz pouco ou nada. Como estamos em uma “democracia” e o que conta é o número de votos, a estratégia do governo é ser populista para agradar a maioria improdutiva e mantê-la improdutiva para garantir seu eleitorado.
Todos os gracejos populistas para o eleitorado são feitos às custas da minoria de empreendedores e trabalhadores bem sucedidos, que tem parte de sua riqueza roubada para o governo fazer o “Pão e Circo” para o povo e ficar com o grande resto. Aliás, toda a burocracia estatal – Salários de políticos, manutenção dos ministérios e funcionários públicos para administrar nosso dinheiro saem tão caro quanto o serviço que o governo se dispõem a fazer pela sociedade. Ser político ou corporativista em um país estatista é um grande negócio, por isso precisam tanto de um eleitorado pobre e ignorante para justificar o sistema que os mantêm pobres.

Preferem a garantia de serem “pobres com dignidade” com acesso a serviços públicos do que viverem em um livre mercado que terão maiores oportunidades de emprego, maiores salários e produtos mais baratos, para assim saírem realmente da pobreza e não dependerem de ninguém. Mas o governo quer que a sociedade dependa de suas regalias e as exija! Porque se a sociedade deixar de precisar do governo, como ele irá justificar sua existência ou os altos impostos que enriquecem seus filiados?
O governo faz suas propagandas: “Obra da prefeitura”, “Obra do governo federal”, “Governo gerou milhares de empregos”. Como se o governo fosse o autor de tudo isso. Entendam uma coisa: O setor público é pago pelo setor privado. Todas as obras, empregos e serviços públicos são pagos com o dinheiro de impostos de pessoas que trabalham para o setor privado ou são empreendedores. O governo não pagou nada disso. Quem pagou foram pessoas saqueadas, que ao invés de terem nossa consideração máxima, são taxadas de burgueses e exploradores. Qual a lógica doentia que existe nisso? Não há mediocridade maior do que a ingratidão de usufruir os recursos e ainda escarnecer aqueles que realmente os produziram.
Alguns acham que a pobreza  e a desigualdade social está diminuindo com o assistencialismo. Não que eu seja contra todo o tipo de assistencialismo. Sei que em determinadas condições um assistencialismo pode ser bem-vindo, desde que seja temporário, bem planejado e não venha acompanhado de propaganda do governo, já que não é pago por ele. Mas eu irei categoricamente dizer uma verdade que muitos nunca irão se conscientizar: riqueza e pobreza não é uma questão de ter ou não ter. Riqueza é alta produtividade e escassez é baixa produtividade. Quem acha que para acabar com a pobreza basta distribuir os recursos, nunca entenderá o que é escassez.

Podem tirar tudo de um homem produtivo, que em pouco tempo ele ficará rico novamente. Podem dar tudo para um homem improdutivo, que aos poucos ele irá perder tudo o que ganhou, por não saber administrar e multiplicar a sua riqueza. Distribuir os recursos financeiros para uma população desqualificada para o mercado de trabalho e vivendo em uma economia burocrática e decadente, nunca a tirará deste quadro de improdutividade.
Como dizia Ronald Reagan: “Acredito que o melhor programa social é um emprego". Para mim, tenho convicção que é o único verdadeiro programa social que pode tirar um indivíduo da pobreza.

Para concluir minha reflexão quero repetir o seguinte trecho, citado no inicio do texto:
“Não nego, mas afirmo o fato de que temos instintos naturais de nos preocuparmos primeiro com nós mesmos, com nossa felicidade, com nosso abastecimento de recursos materiais, com nosso sucesso e nossas conquistas... para depois nos preocuparmos com os problemas dos outros, mesmo que estes problemas sejam muito mais severos do que os nossos. Não nego nada disso. Isso é natural. São instintos de sobrevivência arraigados em nós e na maioria dos seres vivos.”
Tendo isto como verdade, a verdade é que nenhum ser humano é apto de governar e administrar as nossas vidas e nosso dinheiro melhor do que nós mesmos. Nossa natureza nos faz pecáveis ao tentar tomar as decisões por todos e prover as necessidades de todos, pois não temos o conhecimento dos desejos e interesses de cada indivíduo e mesmo a sabedoria de todos para realizá-los. O único mundo justo seria um mundo em que os governantes não tivessem o poder  para controlar e administrar a vida e a propriedade de cada individuo, mas apenas o dever de protegê-los contra a coerção alheia. Para isso, cabe apenas a existência de três setores: A segurança pública, a defesa nacional e os tribunais públicos. Trilhando aos poucos para um anarcocapitalismo, em tempos de paz mundial.

Adriano Olimpio
 

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