segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Explicando a importância da liberdade individual e como que em uma sociedade livre quem manda é o mercado consumidor


Vejo constantemente muitas pessoas criticando grandes empresas que oferecem produtos industrializados e serviços com o argumento de que estas impõem o padrão de consumo da sociedade, tirando do mercado os produtos que a humanidade necessita e oferecendo apenas o que é de interesse mais lucrativo. Alguns paranóicos cogitam a hipótese de que um dia só haverá oferta de produtos industrializados (porque são mais lucrativos e agregam valor) e darão sumiço aos produtos in-natura. Uma das maiores críticas e referência no assunto é a indiana Vandana Shiva, confira:

“Infelizmente, o chamado livre comércio trouxe a liberdade para as corporações, mas não para as pessoas. As corporações estão escrevendo as regras e se tornando os governantes.[...]Originalmente, o livre comércio deveria reconhecer a liberdade de todas as espécies e por isso não destruiria nenhuma espécie nem ecossistema. Originalmente, o livre comércio reconheceria os direitos dos camponeses e dos povos indígenas e, por isso, não iria cortar as raízes. Reconheceria também os direitos dos pequenos agricultores familiares e iria cuidar para que existam preços justos, ao invés de tentar debilitar o preço por meio de dumping e jogando fora os produtos.Um verdadeiro livre comércio seria a liberdade para as pessoas e não a liberdade para as corporações. O que nós temos agora é uma corporatização global com uma negligência total, uma destruição negligente e desatenta.” *

Leram? Antes ressalto dois erros desta senhora: O 1° é considerar que nações que criam regras de controle de produção favorecendo corporações são nações de política de livre mercado, quando tal postura é justamente de política estatista. Em um país que assume política de livre mercado, a produção logicamente não é controlada pelo Estado. O 2° erro é determinar previamente os rumos do livre comércio, dizendo: “O livre comércio DEVERIA” isso, “o livre comércio deveria” aquilo.Ora, o nome já diz, o livre comércio é livre, não tem um programa determinado de ações, então não tem como acusar o livre comércio de um suposto compromisso ou objetivo que ele nunca determinou em sua essência. Quem determina os rumos do livre comércio são as escolhas individuais dos consumidores, ou seja, é de caráter democrático. O livre comércio não tem ética, quem tem ética são as pessoas. Se o livre mercado local produz uma condição anti-ética ou produto anti-ético, a vossa queixa tem de ser dirigida às pessoas que demandam esta produção.
Enfim, muito sentimental seu discurso humanitário e sua crítica ao livre mercado. Porém vamos entender a realidade na prática.

Vou citar um exemplo modelo:

Imagine uma grande empresa de suco de maçã industrializado.Através de uma pesquisa de mercado feita por esta empresa, foi constatado que grande parte do pontencial mercado consumidor deixa de consumir o produto, por achar mais barato e mais saudável, comprar maçãs e fazer o próprio suco.

Ora, para acabar com essa concorrência, a grande empresa, possuidora de grande poder financeiro, decide ir aos grandes produtores/fornecedores de maçãs e oferece pagar por toda safra um preço maior do que o valor que atualmente é pago pelo mercado, para tirar quase todo o produto do mercado, inflacionando seu preço.

Acontecerá que a quantidade de maçãs in-natura no mercado irá diminuir, restando apenas as maçãs de alguns pequenos produtores. Como o produto estará escasso, seu preço aumentará e parte do mercado consumidor irá preferir comprar o suco de maçã industrializado como a empresa planejou. Porém, uma parte do mercado não abre mão de suas preferências e está disposto, mesmo pagando mais caro, à adquirir as maças in-natura.

Portanto, na próxima safra, a grande empresa terá empecilhos para repetir a proeza. Quando chegar aos mesmos produtores/fornecedores e fizer a mesma oferta, eles não aceitarão, pois a inflação que a empresa causou na safra passada fez a maçã in-natura valorizar tanto, que a empresa terá que pagar muito mais caro pelas maçãs! E mesmo que não queira dessa vez comprar todas as maçãs do mercado, terá que comprar pelo menos a quantidade  para a elaboração de seu produto, já que é sua matéria prima, pagando também, claro, o preço inflacionado, gerando-lhe um grande prejuízo. Ou seja, “deu um tiro no próprio pé!”

Uma questão de liberdade de escolha:

Sou um praticante de alimentação saudável, mas não me torno neurótico quando vejo produtos que eu não considero saudáveis sendo ofertados. Defendo a liberdade das pessoas de escolherem o que consomem. Se existem alimentos maléficos à saúde, de má qualidade nutricional e má procedência, é porque tem pessoas que ainda assim não abrem mão do produto e pagam para que continue a ser ofertado.

É o mercado que define a variedade, a qualidade e a quantidade dos produtos e serviços à serem ofertados. Em uma sociedade livre, nós decidimos o que compramos. E uma empresa só produz se houver demanda. Se existem produtos cheios de gordura hidrogenada, transgênicos, conservantes e todo o tipo de química e anti-nutrientes, é porque há pessoas que não se importam com isso e valorizam outros aspectos como sabor, praticidade, efeitos psicoativos, etc. E quem sou eu pra tirar essa liberdade dos consumidores? Respeito as escolhas individuais. Faço a minha parte de consumir apenas o que eu quero, de educar minha família e recomendar aos amigos os alimentos de características e procedências que eu valorizo, para que o mercado oferte as preferências que eu demando.

Quer mais variedade de alimentos saudáveis, orgânicos, sem lactose, sem gordura, sem conservantes, dietétiticos, in-natura, sem colesterol, etc, sendo ofertados? Então só compre este grupo de alimentos, não compre o oposto, eduque e recomende sua família, amigos e sociedade à fazer o mesmo, e veja o mercado ofertar, como eu tenho visto lançar, à cada dia, uma novidade que se enquadra dentre preferências diversas de qualidade, atributos e procedências.

O mercado não vai lucrar ofertando aquilo que ele quer vender, mas ninguém quer comprar. Quem decide é o consumidor! Não é preciso nenhum órgão estatal para censurar a produção de um determinado produto. Se as pessoas democraticamente não quiserem tal produto, a empresa irá falir e o produto naturalmente deixará de existir. Basta um trabalho de conscientização acerca do que se compra.

Aproveitando para explicar o sistema socialista de produção:

Havendo produtos que façam mal ou façam bem, o importante é termos liberdade para escolher. O único modo de não termos essa liberdade é se estivermos em uma nação, cujo sistema político estatal tenha o controle sobre os meios de produção, como o socialismo, tirando do mercado o papel de representar as preferências de seu povo. É o que chamamos de a “ditadura do proletariado”, em que o valor não é subjetivo ( o quanto o consumidor está disposto à pagar), mas sim determinado pelas “ forças de trabalho** empregadas” (O quanto quem produziu determinou, obrigando o indivíduo à pagar tal valor, mesmo sem sequer desejar tal produto).

Quando o sistema de produção determina o valor dos produtos e serviços, quem se importa com as preferências do consumidor? Sendo assim, quem produz, além de impor o preço, também vai impor O QUE produzir, queira o consumidor ou não, pois sua opinião não poderá decidir a variedade(bens substitutos e complementares), a qualidade, a procedência e a qualidade. Quando o Estado controla a produção, as vozes das preferências individuais não são consideradas. O grupo que controla a produção (proletariado segundo Karl Marx) terá a prepotência de considerar-se representante da escolha geral. Será o Estado, um grupo de pessoas que está no poder, capaz de representar tão bem todas as nossas vozes individuais? O mercado sim. Pois cada cédula ou moeda que pagamos por um produto ou serviço, é como um voto, expressa nossa preferência por ele e serve de incentivo para que, quem o oferta, continue ofertando e satisfazendo nossas necessidades individuais.

Viva a liberdade! Liberdade de empreender e ofertar! Se permito que em nossa cultura seja legítimo se dar o direito de exigir o controle ou a censura estatal à um bem ou serviço que não me agrada, um dia poder-se-á fazer à um bem ou serviço que necessito!
Não desejo anarquia, desejo um estado mínimo que garanta a proteção à vida, ao pudor e a segurança da nação perante outras nações. O resto deixemos a liberdade expressar democraticamente o que queremos em suas devidas proporções.

"O comércio contribuiu para torná-los mais livres, e, por sua vez, a liberdade ampliou o comércio." Voltaire

Os problemas de uma ordem livre e a importância da consonância das virtudes com a liberdade

É claro que as previsíveis falhas de um sistema político livre em uma sociedade existem e são óbvias: Correspondem às falhas individuais e/ou das deficiências de valores dos indivíduos pertencentes a esta sociedade. Se grande parte destes indivíduos tiverem hábitos promíscuos, preguiçosos e antiéticos, o mercado produzirá para a sociedade aquilo correspondente a estes hábitos. Por isso ressalta-se a importância da coexistência de uma ordem livre com uma cultura de valores conservadores - trabalho, compromisso, respeito, integridade, conduta reta, cavalheirismo, civilidade, reverência à Deus e afabilidade entre seu povo. 

Uma moral conservadora não quer dizer que, em quem a possui, há impedimento para mudanças morais e aprender novas virtudes.  

Uma moral conservadora faz referência aos valores comuns aos nossos bem-aventurados compatriotas do século passado, que desconheciam toda a libertinagem e má aventurança que infiltrou-se na nossa cultura travestida de bonitos princípios revolucionários com premissas éticas e libertadoras, quando na verdade só serviram para destruir a família, a fé e a liberdade do nosso povo. 

Uma moral conservadora significa manter a base. Significa ser fiel aos seus valores, de modo a filtrar bem as influências externas, para não acabar como aqueles desregrados, que de tão susceptíveis à qualquer influência, perderam a noção do pudor, do certo e do errado e ainda ficando tão confusos à ponto de se acharem com razão.

O conservadorismo em consonância ao libertarianismo gera uma população livre e virtuosa. Só com virtudes sabemos aproveitar nossa liberdade para o bem, sem cair em libertinagem. E só em liberdade pode-se desenvolver virtudes.

Considerações finais à perspectiva ética da liberdade:

Não sou relativista à ponto de achar que o certo e o errado dependem do ponto de vista ou das preferências de cada indivíduo. Pelo contrário, penso que os imparciais tem lugar reservado no inferno. Tenho sim meu credo e minhas convicções de caráter absoluto acerca do bem e o mal. Acredito em Deus e não quero contrariar a natureza de seu sistema, em que existem possibilidades e perspectivas boas e ruins como efeito de diversas escolhas que tomemos e ações que façamos EM LIBERDADE. 

Acredito que todo progresso real é feito em liberdade. Reconheço toda a bondade divina em nos permitir reconhecer o bem e o mal através de experiências proporcionadas pela vida, muitas vezes dolorosas, mas que só assim podemos aprender a distinção entre o bem e o mal, aprendendo com os erros e encontrando nossa essência nos acertos, engajando cada vez mais em Seu amor, Suas virtudes e aprendendo à amar a vida. Reconhecendo o caminho de luz que a incompreendida e às vezes perigosa liberdade pode nos conduzir.

Não aprenderíamos nada, sem vivenciar as dualidades do mundo, se já nascêssemos num paraíso, sem um parâmetro oposto para reconhecê-lo como tal. Não reconhecemos a face do bem, se não conhecemos a face do mal. 

Ninguém vai evoluir preso no jardim do Éden e não é a missão humana criar tal condição na vida daqueles que precisam evoluir. O paraíso ou a perfeição é uma condição interna que devemos atingir, não é algo concreto que devemos externar. A dádiva da liberdade que Deus nos deu para nossa evolução pode ser vista como uma águia que empurra o filhote do ninho para aprender a voar. Não cometamos o erro de querer tirar a liberdade dos nossos irmãos e compatriotas, com a premissa de que nosso senso ético acredita ser o melhor para eles. O melhor para cada um deles é descobrir por si a melhor condição e compreensão da vida, e só em liberdade é possível tal descoberta. 
Nada é mais sagrado que a liberdade. Nem mesmo a ética.

Adriano Olimpio



*Parte da entrevista de Tatiane Ribeiro e Toni Sciarretta e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 24-08-2013, no 3º Encontro Internacional de Agroecologia, em Botucatu.
**Conceito de valor usado por Karl Marx


segunda-feira, 18 de março de 2013

Relações sexuais casuais intoxicam o amor


Quando crianças, na primeira vez que ouvimos falar de sexo, pela escola ou  por nossos próprios pais, compreendemos que sexo é feito por casais como nossos pais: que são casados, vivem juntos, se amam e formam uma família. Depois, quando adolescentes, nesta época, temos a concepção de que se faz sexo com alguém o qual estamos apaixonados. Mais futuramente, durante o período de faculdade principalmente, ou início da vida adulta, a maioria de nós nos habituamos a fazer sexo casual, que leva inconscientemente a formar em nós a concepção de que sexo se faz simplesmente por necessidade, quando queremos. E, quando carecem de requisitos para realizarmos uma relação sexual, esta se torna o objetivo único do relacionamento que exercemos. Antes o sexo era uma consequência do amor, agora independente dele. E à medida que desvinculamos o pré-requisito de amar de nossos hábitos, o amor deixa de ser necessário para nós. Desapegamos do amor. O amor deixa de existir nas nossas vidas. Porque quando somos capazes de fazer coisas sem amar, não conseguimos amar as coisas.

Imagine uma moça neste contexto: - Criada em uma família tradicional no interior, cresceu vendo espelhada em seus pais a concepção de relação sexual intrínseca ao amor, à união estável e à família. Até que, na adolescência, influenciada pelos hormônios e contos de romance, presentes em sua mídia e cultura, desenvolve a ideia de que sexo não necessariamente pertence ao matrimônio, mas também à paixão eventual, tal que até o final do período de adolescência, pode ela ter tido um, dois ou três namorados, e, que, com algum deles, iniciou o ato sexual. Terminando este período, irá ela tornar-se universitária, estudando na capital, morando em república. Em 4 a 5 anos, em que ela irá morar sem os pais e com moças de mesma idade, portanto em um lar certamente desprovido de muitas das regras e bons costumes que antes ela tinha de se guiar, estará ela sujeita a perder sua disciplina com o excesso de liberdade. E as relações sexuais casuais tendem a ganhar oportunidade na vida desta moça, pois o excesso de liberdade dos jovens é um meio propício para a libertinagem. Outro fator relevante é que, longe dos pais, estará longe das únicas pessoas que a amam incondicionalmente. Esta separação espacial leva a surgir uma forte carência de afeto. Se juntarmos o excesso de liberdade com uma forte carência, deseja-se usar a liberdade para encontrar ou receber alguém capaz de suprir essa carência. Como é impossível encontrar alguém que se ama e te ame, da noite para o dia, o mais comum é depositar essa carência em alguém que não será capaz de supri-la com amor, mas com sexo, de modo que, para tal, terá a moça que desvincular o amor do ato sexual, para poder suprir sua necessidade. E à medida que esta experiência for se repetindo, mais irá se consolidando o sentido que o sexo possui na vida desta moça: Não mais que uma necessidade; Bem como irá se consolidar a sua forma de se relacionar com os homens: Superficialmente.

Vejamos que neste exemplo o qual ocorre tanto para homens quanto para mulheres que, na medida em que temos relações sexuais casuais, nos acostumamos a não amar quem nos relacionamos. Não amar em um relacionamento se torna um costume. E costume é algo que fica impregnado em nós, não é algo que se mude com facilidade. Nossos costumes nos tornam o que somos. Você define uma pessoa pelos costumes dela.
Se possuímos o hábito de não amar as pessoas com quem nos relacionamos, obviamente teremos dificuldade de amá-las quando for conveniente. Quando estivermos na faixa dos 30 anos, bem sucedidos financeiramente e socialmente, prontos para casar e constituir família, não vai acontecer de simplesmente: "Pronto, agora eu vou amar!" Como? Se passamos um terço de nossas vidas aprendendo a não amar, desapegando do amor e desvinculando o amor dos nossos relacionamentos íntimos?
Resumindo: teremos dificuldade de gostar das pessoas e de nós mesmos, porque ao mesmo tempo em que usamos as pessoas só para satisfazer nossas necessidades, também nos deixamos nesta condição de sermos usados como objetos. Existe então uma coisificação do nosso corpo, numa progressiva redução de fins: Antes pensávamos que nosso corpo só podia ser acessível a quem nos amasse e conosco constituísse família, depois por quem nos apaixonássemos e agora por quem necessite. Deixamos nosso valor se reduzir a tal ponto, que não temos nada a oferecer além uma momentânea satisfação fisiológica.

Claro que iremos pensar que os homens são todos iguais ou as mulheres são todas iguais, pois a única função que todos os homens ou mulheres que nos relacionamos desempenharam, durante nossas vidas, foi a satisfação de necessidade sexual. Então, certamente, não veremos diferença entre eles ou elas.
Há toda uma intoxicação do nosso potencial de amar as pessoas. O amor é um potencial que se manifesta quando é praticado. Quando é feito o contrário, a nossa capacidade amar se atrofia. Somos o que praticamos. Fazemos o que acostumamos a fazer.

Não sendo católico, nem protestante, embora admirador de Jesus Cristo e de muitos ensinamentos da Bíblia, reconheço o valor da orientação desde os tempos mais remotos em que foi formada a cultura cristã, até os dias de hoje, em que os jovens são instruídos a só fazerem sexo depois do casamento e manterem uma postura reservada. Antes pensava que se tratava de mera burocracia e conservadorismo, mas hoje percebo as benfeitorias de tal orientação, de modo que os casamentos de antigamente duravam mais. De modo contrário, na sociedade atual em que está se desagregando progressivamente dos valores cristãos, o número de divórcios nunca foi tão alto. Dentre vários motivos particulares que cada casal pode alegar por se divorciar, cito um causa geral: As pessoas não estão conseguindo se amar.

A igreja foi e é sábia desde sempre em tentar preservar a castidade dos jovens para que, no momento oportuno, encontrem o amor. Encontrar o amor não é encontrar um bom homem ou uma boa mulher. Há sempre pessoas boas em todos os lugares. Encontrar o amor é ser capaz de amar. Para sermos capazes de amar não devemos nos contaminar com experiências que nos ensinem a não amar.

Adriano Olimpio