Quando crianças, na primeira vez que ouvimos falar de
sexo, pela escola ou por nossos próprios
pais, compreendemos que sexo é feito por casais como nossos pais: que são
casados, vivem juntos, se amam e formam uma família. Depois, quando
adolescentes, nesta época, temos a concepção de que se faz sexo com alguém o
qual estamos apaixonados. Mais futuramente, durante o período de faculdade
principalmente, ou início da vida adulta, a maioria de nós nos habituamos a fazer
sexo casual, que leva inconscientemente a formar em nós a concepção de que sexo
se faz simplesmente por necessidade, quando queremos. E, quando carecem de
requisitos para realizarmos uma relação sexual, esta se torna o objetivo único
do relacionamento que exercemos. Antes o sexo era uma consequência do amor,
agora independente dele. E à medida que desvinculamos o pré-requisito de amar de
nossos hábitos, o amor deixa de ser necessário para nós. Desapegamos do amor. O
amor deixa de existir nas nossas vidas. Porque quando somos capazes de fazer
coisas sem amar, não conseguimos amar as coisas.
Imagine uma moça neste contexto: - Criada em uma família
tradicional no interior, cresceu vendo espelhada em seus pais a concepção de
relação sexual intrínseca ao amor, à união estável e à família. Até que, na
adolescência, influenciada pelos hormônios e contos de romance, presentes em
sua mídia e cultura, desenvolve a ideia de que sexo não necessariamente
pertence ao matrimônio, mas também à paixão eventual, tal que até o final do
período de adolescência, pode ela ter tido um, dois ou três namorados, e, que,
com algum deles, iniciou o ato sexual. Terminando este período, irá ela
tornar-se universitária, estudando na capital, morando em república. Em 4 a 5
anos, em que ela irá morar sem os pais e com moças de mesma idade, portanto em
um lar certamente desprovido de muitas das regras e bons costumes que antes ela
tinha de se guiar, estará ela sujeita a perder sua disciplina com o excesso de
liberdade. E as relações sexuais casuais tendem a ganhar oportunidade na vida
desta moça, pois o excesso de liberdade dos jovens é um meio propício para a
libertinagem. Outro fator relevante é que, longe dos pais, estará longe das
únicas pessoas que a amam incondicionalmente. Esta separação espacial leva a
surgir uma forte carência de afeto. Se juntarmos o excesso de liberdade com uma
forte carência, deseja-se usar a liberdade para encontrar ou receber alguém
capaz de suprir essa carência. Como é impossível encontrar alguém que se ama e
te ame, da noite para o dia, o mais comum é depositar essa carência em alguém
que não será capaz de supri-la com amor, mas com sexo, de modo que, para tal,
terá a moça que desvincular o amor do ato sexual, para poder suprir sua
necessidade. E à medida que esta experiência for se repetindo, mais
irá se consolidando o sentido que o sexo possui na vida desta moça: Não mais
que uma necessidade; Bem como irá se consolidar a sua forma de se relacionar
com os homens: Superficialmente.
Vejamos que neste exemplo o qual ocorre tanto para homens
quanto para mulheres que, na medida em que temos relações sexuais casuais, nos
acostumamos a não amar quem nos relacionamos. Não amar em um relacionamento se
torna um costume. E costume é algo que fica impregnado em nós, não é algo que se
mude com facilidade. Nossos costumes nos tornam o que somos. Você define uma
pessoa pelos costumes dela.
Se possuímos o hábito de não amar as pessoas com quem nos
relacionamos, obviamente teremos dificuldade de amá-las quando for conveniente.
Quando estivermos na faixa dos 30 anos, bem sucedidos financeiramente e
socialmente, prontos para casar e constituir família, não vai acontecer de
simplesmente: "Pronto, agora eu vou amar!" Como? Se passamos um terço de nossas
vidas aprendendo a não amar, desapegando do amor e desvinculando o amor dos
nossos relacionamentos íntimos?
Resumindo: teremos dificuldade de gostar das pessoas e de
nós mesmos, porque ao mesmo tempo em que usamos as pessoas só para satisfazer
nossas necessidades, também nos deixamos nesta condição de sermos usados como
objetos. Existe então uma coisificação do nosso corpo, numa progressiva redução
de fins: Antes pensávamos que nosso corpo só podia ser acessível a quem nos
amasse e conosco constituísse família, depois por quem nos apaixonássemos e agora
por quem necessite. Deixamos nosso valor se reduzir a tal ponto, que não temos
nada a oferecer além uma momentânea satisfação fisiológica.
Claro que iremos pensar que os homens são todos iguais ou as mulheres são todas iguais, pois a única função que todos os homens ou
mulheres que nos relacionamos desempenharam, durante nossas vidas, foi a satisfação
de necessidade sexual. Então, certamente, não veremos diferença entre eles ou
elas.
Há toda uma intoxicação do nosso potencial de amar as
pessoas. O amor é um potencial que se manifesta quando é praticado. Quando é
feito o contrário, a nossa capacidade amar se atrofia. Somos o que praticamos.
Fazemos o que acostumamos a fazer.
Não sendo católico, nem protestante, embora admirador de
Jesus Cristo e de muitos ensinamentos da Bíblia, reconheço o valor da
orientação desde os tempos mais remotos em que foi formada a cultura cristã,
até os dias de hoje, em que os jovens são instruídos a só fazerem sexo depois
do casamento e manterem uma postura reservada. Antes pensava que se tratava de
mera burocracia e conservadorismo, mas hoje percebo as benfeitorias de tal
orientação, de modo que os casamentos de antigamente duravam mais. De modo contrário,
na sociedade atual em que está se desagregando progressivamente dos valores
cristãos, o número de divórcios nunca foi tão alto. Dentre vários motivos
particulares que cada casal pode alegar por se divorciar, cito um causa geral: As pessoas não estão conseguindo se amar.
A igreja foi e é sábia desde sempre em tentar preservar
a castidade dos jovens para que, no momento oportuno, encontrem o amor.
Encontrar o amor não é encontrar um bom homem ou uma boa mulher. Há sempre pessoas
boas em todos os lugares. Encontrar o amor é ser capaz de amar. Para sermos capazes de amar não devemos nos contaminar com experiências que nos ensinem a não amar.
Adriano Olimpio
Adriano Olimpio
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